FIG. 103Passeios

Colunas da Sagrada Família: como sustentam as abóbadas

Na Sagrada Família, as colunas se ramificam como árvores a 45 m, enquanto o sol desloca luz azul e laranja sobre o piso.

Colunas da Sagrada Família: como sustentam as abóbadas
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1 / 16 Luz no pisoVocê está dentro, junto à entrada principal. Observe o piso: conforme o sol se move, a luz azul da Natividade e a laranja da Paixão deslizam pela pedra. Olhe para cima para ver as colunas se ramificando.

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Atualizado em Fontes conferidas em
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O que você vai percorrer

As colunas da Sagrada Família se ramificam para conduzir o peso das abóbadas até o solo; as tribunas dos cantores ficam a 15 m. A maioria das fotografias mostra o exterior: um conjunto de agulhas altas e vazadas sobre os telhados de Barcelona, com gruas ao lado. Por dentro, as colunas não ficam retas como os pilares de uma catedral gótica. Elas se inclinam e, perto do alto, se dividem em galhos que alcançam as abóbadas, fazendo a nave parecer uma floresta de pedra. Em dias ensolarados, as janelas projetam luz azul no piso de manhã e laranja à tarde, e as cores avançam pela pedra ao longo das horas.

Esta exposição é uma maquete simplificada e percorrível da basílica e do quarteirão onde ela fica. Você pode caminhar pela nave, subir às tribunas dos cantores a 15 m, ficar nas pontes entre as torres centrais a 85 m do piso, descer ao museu que guarda uma cópia da maquete suspensa de Gaudí e visitar a cripta onde ele está enterrado. Um controle do ano reconstrói a igreja desde a primeira pedra, em 1882, até o exterior da torre de Jesus Cristo, concluído em fevereiro de 2026, e dá mais um passo até a fachada principal projetada. O controle da hora desloca o sol sobre Barcelona, acompanhado pela luz colorida.

Os números da cena vêm dos folhetos informativos e das notícias da basílica, da UNESCO e de pesquisas publicadas sobre como Gaudí projetava suas estruturas. A forma da maquete é mais simples que a do edifício real. Quando precisa escolher uma medida não dada pelas fontes, como o comprimento dos braços do transepto, a espessura de uma parede ou a altura exata de cada campanário, a cena a identifica como valor da maquete. As pessoas são manequins lisos, sem rosto.

Os primeiros dez segundos

A exposição abre logo depois da entrada principal, olhando pela nave em direção ao altar. Nos primeiros instantes, o sol percorre um dia em velocidade acelerada. No começo, o sol baixo da manhã atravessa as janelas da Natividade e cria manchas azuis e verdes no piso e nas bases das colunas. À tarde, ele já girou para oeste, o lado da Paixão, e as manchas ficam vermelhas e laranjas. Ao se mover ou olhar ao redor, a passagem acelerada do tempo para naquele instante; daí em diante, você controla a hora.

A luz não está pintada. A maquete conhece a posição de Barcelona, calcula onde o sol está na hora e no dia escolhidos e projeta a cor de cada janela no piso seguindo essa direção. O sol baixo produz manchas longas que atravessam a nave; o sol alto do verão cria manchas curtas perto das paredes.

Onde fica

A basílica ocupa um quarteirão do Eixample de Barcelona, a malha de quadras com esquinas chanfradas traçada no século 19. Suas três fachadas dão para três ruas. A Natividade fica em Carrer de la Marina, voltada para nordeste e para o sol da manhã. A Paixão fica em Carrer de Sardenya, voltada para sudoeste e para a tarde. A Glória, entrada principal, fica em Carrer de Mallorca e olha para o mar. A abside fecha a igreja em Carrer de Provença.

Na maquete, as duas praças que ladeiam a igreja aparecem como parques: Plaça de Gaudí diante da Natividade, com um lago que reflete a fachada, e Plaça de la Sagrada Família do lado da Paixão. As casas ao redor são blocos simples. Use o mapa no canto para saltar a qualquer lugar.

Medidas que vêm de um comprimento

Quase todas as medidas principais da Sagrada Família são múltiplos de 7,5 m. O folheto sobre o interior as enumera. Os coros sobre as naves laterais ficam a 15 m, as abóbadas laterais a 30 m, as centrais a 45 m, o cruzeiro a 60 m e a abside a 75 m. Na planta, as naves laterais somam 30 m de largura, a central tem 15 m e o interior mede 90 m de comprimento da porta ao fundo da abside.

As torres seguem a mesma regra. A de Jesus Cristo mede 172,5 m, ou seja, 23 vezes 7,5 m. As quatro dos evangelistas têm 135 m, 18 vezes o módulo. A da Virgem Maria mede 138 m. Os doze campanários dos apóstolos têm entre 98,5 e 120 m. Quando concluída, a basílica terá 18 torres: doze para os apóstolos, quatro para os evangelistas, uma para Maria e uma para Jesus.

Como as abóbadas sobem gradualmente das portas até a abside, é possível ver quase todo o interior de qualquer ponto das naves. Caminhe da entrada principal até o cruzeiro: a abóbada acima de você sobe de 45 para 60 m.

Uma igreja paga com doações

A Sagrada Família não foi encomendada por um rei, uma cidade ou um bispo. Josep Maria Bocabella, livreiro de Barcelona devoto de São José, fundou em 1866 uma associação espiritual e uma revista para promover essa devoção. Com o padre Josep Manyanet, que propusera um templo à Sagrada Família, a associação decidiu construir um templo expiatório: pago com doações dos fiéis para expiar pecados. Em 31 de dezembro de 1881, compraram 12.800 m² de terreno no então município de Sant Martí de Provençals por 172.000 pesetas. A basílica continua sendo construída com doações e com a receita dos ingressos.

A igreja de Villar e a de Gaudí

O primeiro arquiteto não foi Gaudí. O arquiteto diocesano Francisco de Paula del Villar desenhou uma igreja neogótica com janelas ogivais, contrafortes e uma agulha, e em 19 de março de 1882 o bispo Urquinaona lançou a pedra fundamental. Um ano depois, Villar saiu após divergências com Bocabella e, em 1883, o projeto passou a um jovem arquiteto, Antoni Gaudí, que ainda trabalhava em outros edifícios.

Gaudí manteve a cripta de Villar, já iniciada, e sua planta em cruz latina. Redesenhou tudo que se ergueria acima dela e continuou alterando o projeto até morrer. Em 1914, abandonou os outros trabalhos para se dedicar ao Templo. Ao todo, trabalhou nele por 43 anos.

A cripta

A cripta foi a primeira parte construída, desde 1882, a 10 m sob o solo. Sua planta é um semicírculo de 30 por 40 m, com cinco capelas no lado reto e outras ao redor da curva. Há missas desde a abertura da capela de São José em 1885, e a cripta ficou pronta em 1889. Gaudí respeitou aqui o estilo neogótico de Villar, mas decorou os capitéis com plantas e colocou relevos de santos nas chaves das abóbadas. A chave da abóbada central, um relevo policromado da Anunciação de Joan Flotats, é um dos achados ocultos.

Gaudí está enterrado na cripta, na capela de Nossa Senhora do Carmo. A fachada da Natividade e a cripta são as duas partes da Sagrada Família inscritas no Patrimônio Mundial da UNESCO, como parte das Obras de Antoni Gaudí.

A fachada da abside

Acima da cripta se ergue a fachada da abside, construída de 1890 a 1893. Sua planta, com sete capelas em um polígono, ainda é a de Villar, mas a decoração é de Gaudí. As gárgulas que escoam a chuva do telhado são animais mediterrâneos: caracóis, lagartos, rãs, sapos e cobras. O folheto da abside aponta essa fachada como o lugar onde o estilo próprio de Gaudí aparece pela primeira vez.

Construir para cima em vez de ao longo

Gaudí sabia que não veria o Templo concluído. Em vez de erguer toda a igreja aos poucos, decidiu terminar uma fachada com suas torres, para que a parte que conseguisse concluir mostrasse aos sucessores como continuar e tornasse mais difícil abandonar o projeto. Depois da cripta e da fachada da abside, começou a Natividade em 1891. Seus sucessores mantiveram o método: a Paixão com suas torres desde 1954, as naves desde a década de 1980 e as torres centrais desde 2016.

A fachada da Natividade

A Natividade é a fachada que Gaudí viu mais avançada. Ela celebra o nascimento de Jesus e a alegria de viver, repleta de plantas e animais: galinhas, patos, insetos, pássaros, rosas, lírios e palmeiras. Três portais se abrem nela, dedicados à Esperança, à Caridade e à Fé, e a José, Jesus e Maria. Estalactites emolduram os portais e representam o frio do Natal. Muitas figuras foram moldadas a partir de pessoas e animais reais; Gaudí testava as versões de gesso na fachada antes de esculpir as de pedra.

Sobre o portal central cresce um cipreste de cerâmica verde, a árvore da vida, com pombas brancas abrigadas e, no alto, uma cruz, um X e uma pomba. Mais abaixo há um pelicano alimentando os filhotes, antigo símbolo de doação da vida, e a estrela de Belém acima do grupo da Natividade.

Duas colunas separam os portais. A do lado do mar leva o nome de José e se apoia em uma tartaruga marinha; a do lado da montanha leva o nome de Maria e se apoia em uma tartaruga terrestre. Nas duas extremidades, camaleões descem pela fachada. O folheto explica que tartarugas e camaleões estão fugindo do mal. As portas dos três portais, cobertas de plantas e insetos, são do escultor japonês Etsuro Sotoo e foram colocadas em 2014 e 2015. Sotoo também esculpiu os anjos cantores e músicos cujos modelos de gesso se perderam na guerra.

Na extremidade norte, na base do campanário de Matias, fica o portal do Rosário, concluído em 1899, o único que Gaudí viu pronto. Entre suas esculturas há uma cena que surpreende visitantes: um diabo oferece a um operário uma bomba Orsini, do tipo usado em atentados em Barcelona na época. Representa o pecado da violência; uma cena correspondente mostra a ganância.

As Escolas

Em 1909, Gaudí projetou e construiu uma escola provisória no terreno, na esquina de Carrer de Sardenya e Carrer de Mallorca, para os filhos da vizinhança e dos trabalhadores. As paredes e o telhado de tijolos ondulam como uma folha de papel. O telhado é feito de conoides: retas vão de uma viga central ao topo das paredes e, como elas ondulam, a superfície do telhado também ondula, dando rigidez a uma casca fina de tijolos. Josep Maria Adell, que estudou o edifício, atribui a ele cerca de 24 m de comprimento, 12 m de largura e 6 m de altura. Como atrapalhava a expansão do Templo, foi depois transferido; uma réplica foi construída em 2002 como ensaio para a mudança. A maquete o mantém no local original.

Uma torre

O primeiro campanário, dedicado a São Barnabé, ficou pronto em 1925. Foi a única torre que Gaudí viu concluída. Em junho de 1926, ele foi atropelado por um bonde e morreu poucos dias depois, em 10 de junho. Foi enterrado na cripta. Seu discípulo Domènec Sugranyes concluiu em 1930 as outras três torres da Natividade, dedicadas a Simão, Judas Tadeu e Matias.

Escolha 1926 no controle do ano e veja o que Gaudí deixou: a cripta, a fachada da abside, a Natividade com uma torre pronta e três em construção, as Escolas e a oficina onde guardava desenhos e modelos. As naves, as outras fachadas e as torres centrais não existiam.

1936

Em julho de 1936, no início da Guerra Civil Espanhola, o Templo foi vandalizado. Incendiaram a oficina, as plantas e fotografias queimaram e os modelos de gesso foram quebrados. Esta é a ideia revista central da exposição: a maioria dos desenhos de Gaudí para a Sagrada Família não existe mais.

Mesmo assim, a obra continuou. Desde 1939, Francesc de Paula Quintana dirigiu os trabalhos com o que foi salvo da oficina e com plantas e fotografias já publicadas. Alguns modelos de gesso foram remontados a partir dos fragmentos. Os discípulos de Gaudí também haviam publicado seu programa para o Templo, e esses álbuns ainda são usados. Na maquete, o ano de 1936 mostra a oficina enegrecida, soltando fumaça.

A maquete suspensa

A maquete mais conhecida na história de Gaudí fica pendurada de cabeça para baixo. Fios pendem de uma placa com pequenos sacos de chumbo de caça amarrados. Cada fio, puxado pelos sacos, assume a forma em que sustenta sua carga apenas por tração. Vire a imagem e cada fio que puxava passa a empurrar: os fios se tornam arcos, colunas e abóbadas que sustentam as mesmas cargas por compressão. Gaudí a estudava em fotografias invertidas.

A ideia é anterior a Gaudí. Em 1675, Robert Hooke publicou, como anagrama, a regra "assim como pende a linha flexível, assim, mas invertido, ficará de pé o arco rígido". O que Santiago Huerta, historiador das estruturas, considera original em Gaudí é basear todo o projeto de um edifício no equilíbrio e usar maquetes suspensas tridimensionais para edifícios abobadados completos.

Aqui também há uma ideia a rever. Gaudí fez sua grande maquete suspensa para outra igreja, em Colònia Güell, uma vila de trabalhadores têxteis perto de Barcelona; só sua cripta foi construída. A maquete no museu da Sagrada Família é uma reprodução feita em 1983, porque a original se perdeu. Como explica a basílica, ideias testadas ali, como colunas inclinadas e ramificadas e superfícies de paraboloides hiperbólicos, passaram à Sagrada Família. Huerta acrescenta que nela Gaudí deixou os modelos funiculares e resolveu a estrutura com geometria e estática gráfica.

Faça os cálculos

O laboratório da corrente suspensa permite fazer com números o que os fios fazem. Uma corrente pende entre dois pinos separados por 1 m. Você escolhe seu comprimento e peso e pendura até dois saquinhos em qualquer ponto. A maquete divide a corrente em elos iguais e encontra a tração horizontal H e a vertical em cada pino que colocam o último elo exatamente no segundo pino. Esse é o polígono funicular das cargas. Sem saquinhos e com muitos elos, coincide com a catenária, a curva y = c cosh(x / c), com diferença de uma fração de milímetro.

Vale experimentar três coisas. Primeiro, pendure um saquinho pesado fora do centro: a corrente forma ali um ângulo. Virado, o ângulo indica onde um arco que sustente esse peso precisa de uma ponta, razão pela qual os arcos de Gaudí raramente são redondos. Segundo, pressione "Dobrar todos os pesos": as forças dobram, mas a forma não muda, porque depende apenas da distribuição dos pesos. Terceiro, vire a corrente e leia a nota: um arco semicircular do mesmo vão precisa ter espessura de pelo menos 10,75% do raio para conter alguma linha de empuxo, resultado encontrado por Milankovitch em 1907 e citado por Jacques Heyman. A corrente virada é sua própria linha de empuxo e, em princípio, pode ser muito fina.

A maquete tridimensional do museu funciona da mesma forma. Seus fios são resolvidos pelo método da densidade de forças, que transforma o equilíbrio de cada nó em uma soma linear. Mude o peso dos saquinhos e toda a rede desce; vire-a e ela se ergue sobre seu reflexo como uma pequena igreja.

Retas que formam curvas

Nos últimos anos de vida, Gaudí projetava com uma pequena família de superfícies construídas a partir de retas: o hiperboloide, o paraboloide hiperbólico, o helicoide e o conoide. Um hiperboloide lembra uma torre de resfriamento: pegue dois círculos, um acima do outro, una pontos deles com retas e gire o círculo superior; as linhas desenham uma cintura. Um paraboloide hiperbólico é uma sela formada por duas famílias de retas entre duas bordas que não estão no mesmo plano. Um helicoide é a superfície torcida de uma escada em espiral.

Essas superfícies são curvas, mas um pedreiro ou carpinteiro pode traçá-las com réguas retas, e são rígidas para sua espessura. Na Sagrada Família, as abóbadas são hiperboloides que se cruzam e suas aberturas são claraboias; os campanários têm escadas helicoidais e as janelas das fachadas também são hiperboloides. O laboratório de geometria desenha cada superfície por suas retas e permite torcê-la.

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As colunas em forma de árvores

As colunas são a invenção mais conhecida de Gaudí no interior da igreja. Ele queria um interior semelhante a uma floresta e fez as colunas trabalharem como árvores. Cada uma parte de uma base estrelada, sobe como um tronco, chega a um nó e se divide em galhos que conduzem as cargas das abóbadas, janelas e coberturas diretamente ao solo. A maioria se inclina. Gaudí sustentava que uma coluna adequadamente inclinada é mais estável que uma vertical, pois acompanha a direção da carga.

Os fustes são o que Gaudí chamou de colunas de dupla torção. Pegue uma seção estrelada e gire-a em um sentido enquanto sobe; pegue a mesma estrela e gire-a no outro: a coluna é a parte comum às duas. À medida que as torções aumentam, as pontas se multiplicam e a seção se arredonda, de modo que um quadrado ou uma estrela na base vira quase um círculo mais acima. O laboratório mostra as duas estrelas e sua parte comum para 6, 8, 10 e 12 pontas.

O blog da basílica apresenta as regras deixadas por Gaudí. A altura de cada coluna em metros até o nó é o dobro do número de pontas da estrela; a altura da base em decímetros equivale ao número de pontas. Assim, as quatro colunas do cruzeiro, de doze pontas, têm 24 m até os nós. A pedra acompanha a carga. As de doze pontas são de pórfiro vermelho, a pedra mais resistente usada; as de dez, ao redor do cruzeiro, de basalto preto; as de oito, na nave central, de granito cinza; as de seis, nas naves laterais, de arenito. As cores vistas ao percorrer a nave indicam quanto cada coluna sustenta.

Nos nós da nave central e do cruzeiro há lâmpadas, algumas com brasões de dioceses. As quatro colunas centrais trazem os símbolos dos evangelistas. Na maquete, cada coluna tem poucos galhos grossos que se bifurcam mais uma vez sob a abóbada; a ramificação real é mais variada.

Há algo sustentando por fora?

As catedrais góticas dependem de arcobotantes externos para absorver o empuxo das abóbadas. Gaudí os chamava de muletas, e os folhetos da basílica dizem que as colunas em forma de árvores os tornaram desnecessários, liberando as paredes para janelas. Ative "Como o peso desce": linhas vermelhas seguem a carga das abóbadas pelos galhos e fustes até o solo.

O estudo de Huerta acrescenta uma nuance: nas seções e em um modelo do telhado, ele identifica contrafortes "ocultos" que recebem parte do empuxo e observa que o peso dos frontões e das tracerias equilibra boa parte dele. As duas leituras são próximas, mas não iguais, e a exposição apresenta ambas.

Abóbadas, claraboias e ouro

As abóbadas são hiperbólicas: hiperboloides que se cruzam e cujas aberturas deixam entrar luz de cima. Há 289 claraboias. As abóbadas laterais são de concreto branco aparente. As da nave central, do cruzeiro e da abside são construídas como abóbadas catalãs, finas camadas de tijolos planos que seguem as retas dos hiperboloides, com triângulos de vidro veneziano verde e dourado entre eles, como folhas de palmeira.

As naves laterais ficaram prontas em 1996, a 30 m; a central foi fechada em 2000, a 45 m. O grande hiperboloide sobre a abside, a 75 m, foi concluído em 2010. No alto, um triângulo de mosaico dourado atravessado por um círculo representa Deus criador; é visível da entrada principal. Sobre o cruzeiro, a 60 m, raios dourados se espalham ao redor do hiperboloide central.

Luz e cor

Gaudí deixou orientações para as janelas, não desenhos. As janelas laterais deveriam ser mais escuras embaixo e mais claras acima; as superiores da nave central deveriam ser transparentes, destacando as abóbadas e sua altura. O pintor Joan Vila-Grau começou os vitrais em 1999 e trabalhou neles por mais de vinte anos com vidro chumbado. Morreu em 2022.

O folheto e o blog explicam as cores. A Natividade olha para a manhã e tem tons frios, azuis e verdes. A Paixão olha para a tarde e é cheia de vermelhos e laranjas. As capelas da abside seguem uma gradação pensada para a oração recolhida.

A maquete calcula a luz passo a passo. Ela usa o dia escolhido, solstício de inverno, equinócio, solstício de verão ou hoje, e a hora de Barcelona, encontrando a altura e a direção do sol pelas equações solares da NOAA. A basílica é girada 45 graus em relação ao norte, pois suas fachadas olham para nordeste, sudoeste e sudeste: o sol da manhã entra pela Natividade e o da tarde pela Paixão. O contorno de cada janela é projetado no piso na direção solar e recebe a cor do vidro. Nas sombras da maquete, o vidro colorido é opaco à luz branca do sol, enquanto as janelas altas transparentes a deixam passar; assim, o piso mostra ambas.

A fachada da Paixão

A fachada de Carrer de Sardenya conta os últimos dias de Jesus. Gaudí a descreveu em um desenho de 1917: deveria ser severa e despojada, "como feita de ossos", com sombras profundas. As fundações foram lançadas em 1954 e seus quatro campanários, dedicados a Tiago Menor, Bartolomeu, Tomé e Filipe, ficaram prontos na década de 1970. Os folhetos dão 1977; a página histórica, 1976.

Seis colunas inclinadas, alargadas nas duas extremidades como ossos, sustentam o pórtico inferior. Acima, um frontão repousa em outras dezoito colunas, e uma cornija de prismas hexagonais forma "Iesus Nazarenus, Rex Iudaeorum". Em 2018, foi colocada no alto uma cruz de 7,5 m de altura, 4,25 m de largura e 18 toneladas.

As esculturas são de Josep Maria Subirachs, feitas entre 1986 e 2010 em seu estilo anguloso. Seguem um caminho em S da Última Ceia, embaixo à esquerda, ao sepultamento, no alto. Ao lado do beijo de Judas há um quadrado mágico: dezesseis números cujas linhas, colunas e diagonais somam 33. Subirachs adaptou o quadrado de Melencolia I, de Albrecht Dürer, cujas somas dão 34, repetindo 10 e 14. O blog da basílica conta 310 maneiras de escolher números que somem 33. Um evangelista tem o rosto de Gaudí, e os soldados romanos usam capacetes com a forma das chaminés da Casa Milà.

A fachada da Glória

A fachada principal, em Carrer de Mallorca, será a maior. Contará a história da humanidade, de Adão e Eva ao Juízo Final, sob um pórtico monumental encimado por 16 lanternas hiperboloides coroadas por cones: sete em um plano inferior e nove em outro superior, chegando a 80 m. Sete colunas externas representarão os dons do Espírito Santo, os pecados capitais e as virtudes opostas. Quatro campanários, para André, Pedro, Paulo e Tiago Maior, subirão atrás. Gaudí também indicou onde queria uma grande escadaria para a entrada principal.

Hoje, só a porta central de Subirachs está no lugar: o pai-nosso em catalão e "o pão nosso de cada dia nos dai hoje" em 50 línguas, com maçanetas feitas das iniciais de Gaudí. Na maquete, a Glória é um canteiro com gruas. A última posição do controle do ano mostra a fachada projetada. Não há data. Quando a basílica recebeu a licença de obras em 2019, o plano deixou seu pórtico para uma fase posterior.

Dezoito torres

Todas as torres têm perfil parabólico, estreitando até a ponta. Os campanários são feitos de nervuras verticais, catenárias ou parabólicas, com lajes inclinadas entre elas, os abat-sons, que espalham o som dos sinos e barram a chuva. As torres da Natividade têm doze nervuras, as da Paixão 14 e as da Glória terão 20. Na base, as da Natividade são quadradas e ficam redondas mais acima. Os campanários foram projetados para 84 sinos tubulares. Cada um termina em um pináculo coberto de vidro veneziano colorido, com os símbolos de um bispo: mitra, báculo e anel.

As seis torres centrais são torres-lanterna. Sua forma vem da sacristia ocidental, concluída até 2017: doze paraboloides que se cruzam e se encontram em uma ponta sob uma coroa de bronze, com 43 m de altura e base quadrada de 18,55 m de lado. Gaudí projetou a sacristia em uma maquete de gesso como modelo das lanternas. A torre de Jesus Cristo tem doze paraboloides como a sacristia, a de Maria 14 e cada evangelista oito. As bases da sacristia e das torres de Maria e Jesus têm cerca de 18 m de largura. São construídas com painéis de pedra protendida: pedra e aço montados fora do canteiro e içados nível por nível.

As torres de Maria e dos evangelistas estão prontas. A de Maria, de 138 m, foi inaugurada em 8 de dezembro de 2021, com sua estrela acesa. Lucas e Marcos ficaram prontas em 2022, João e Mateus em 2023; cada torre de evangelista mede 135 m e termina em seu símbolo: o boi de Lucas, o anjo de Mateus, o leão de Marcos e a águia de João. A 85 m, as quatro se ligam à torre de Jesus Cristo por pontes, o nível visitável na maquete.

A torre de Jesus Cristo

A torre central foi construída em doze níveis de painéis. Os primeiros foram colocados em 16 de outubro de 2018, a 85 m do solo. No fim de 2022, a torre tinha 125,85 m; o último nível de painéis foi concluído em 4 de dezembro de 2024, a 142,5 m. Sobre os painéis fica um pináculo de 29 m, iniciado em maio de 2025, com as palavras "Tu solus Sanctus, tu solus Dominus, tu solus Altissimus" em cerâmica esmaltada branca entre palmas.

Em 30 de outubro de 2025, o braço inferior da cruz foi colocado e a torre chegou a 162,91 m, superando os 161,53 m da torre da igreja de Ulm, a mais alta desde 1890. Em 20 de fevereiro de 2026, o braço superior foi instalado e a torre alcançou 172,5 m, tornando a Sagrada Família a igreja mais alta do mundo. A cruz é tridimensional, com quatro braços, 17 m de altura e 13,5 m de largura, revestida de vidro e cerâmica esmaltada branca para brilhar de dia e de noite. No braço superior fica suspenso um Agnus Dei do artista italiano Andrea Mastrovito.

Em 10 de junho de 2026, 100 anos após a morte de Gaudí, o papa Leão XIV (Leão 14.º) abençoou a torre, iluminada pela primeira vez. As obras interiores continuam em 2027 e 2028. Três níveis serão abertos a visitantes: a 85 m, a 143 m e dentro da cruz.

Montjuïc e o módulo

Um relato repetido por muitos guias diz que Gaudí manteve a torre mais alta um pouco abaixo de Montjuïc, a colina sobre o porto de Barcelona, porque uma obra humana não deveria superar a de Deus. Os folhetos da basílica dão outra razão, mais simples: 172,5 m são 23 vezes 7,5 m, o módulo de todo o edifício. A exposição mantém o relato como relato e o módulo como informação da fonte.

Uma licença após 137 anos

O Templo pediu licença em 1885, quando seu terreno ainda ficava no município de Sant Martí de Provençals, hoje parte de Barcelona. A licença nunca foi regularizada. Em outubro de 2018, a basílica e a prefeitura assinaram um acordo; um plano especial para todo o projeto foi aprovado em fevereiro de 2019, e em junho de 2019 a cidade concedeu a licença, apresentada na prefeitura em julho. Após 137 anos, a Sagrada Família teve uma licença de obras regularizada. Mude o ano para 2019 para abrir a ficha.

Como se constrói hoje

Os materiais são os escolhidos por Gaudí; os meios são novos. A pedra dos campanários da Natividade e da Paixão é arenito de Montjuïc. As pedreiras fecharam há muito tempo e a única pedra restante vem de edifícios antigos demolidos; por isso, outros arenitos e granito são usados nas janelas e em partes das torres. Gaudí usou concreto armado nos pináculos da Natividade, e as naves são feitas desse material, seguindo suas instruções. Máquinas controladas por computador cortam a pedra; fôrmas de poliéster, fibra de vidro ou poliestireno são moldadas por computador; gruas altas içam painéis inteiros. A maquete mostra três gruas nos anos atuais.

O museu e a oficina

Um museu sobre a história, a técnica e os símbolos do Templo abriu em 1961. Na maquete fica sob a Paixão, com modelos de gesso nas mesas, uma pilha de fragmentos de 1936, uma impressora 3D e a maquete suspensa. Gaudí trabalhava com modelos de gesso em tamanho natural e reduzido; a oficina atual continua assim, agora com programas de desenho paramétrico 3D e impressoras 3D.

Na época de Gaudí, a oficina ficava na esquina de Carrer de Sardenya e Carrer de Provença. Na maquete aparece ali de 1883 até o incêndio de 1936 e desaparece depois de 1939.

Ano a ano na maquete

O controle do ano vai de 1882 a 2026 e depois dá um passo até o projeto. Cada parte aparece no ano indicado pelas fontes. Quando foi construída ao longo de vários anos, como a Natividade de 1891 a 1930, as naves laterais até 1996 e a central até 2000, a maquete a ergue gradualmente. Os campanários sobem linearmente entre o início e o fim da obra de sua fachada; as alturas intermediárias são estimativas. As torres centrais seguem as alturas datadas nas notícias da basílica, ligadas por retas: para Jesus Cristo, 85 m em outubro de 2018, 125,85 m no fim de 2022, 135 m no fim de 2023, 142,5 m em dezembro de 2024, 162,91 m em outubro de 2025 e 172,5 m em fevereiro de 2026. O painel indica quando a altura fica entre pontos datados.

O painel "Eu" usa seu ano de nascimento para mostrar a basílica naquele ano: quantas torres estavam prontas e quanto media a mais alta.

Diferenças entre a maquete e a realidade

  • A planta é simplificada. A nave tem 45 m de largura e 30 m de comprimento antes do transepto, cujos braços medem 60 m de ponta a ponta; a abside é um semicírculo simples. A igreja real tem mais tramos e contorno mais complexo.
  • As paredes são lisas, com janelas de arco simples. As fachadas laterais reais são cobertas de tracerias, pináculos e esculturas.
  • As colunas seguem as regras de Gaudí para altura e pedra, mas têm a mesma ramificação simples. Os galhos reais variam de coluna para coluna.
  • Os campanários são posicionados e dimensionados como valores da maquete dentro da faixa oficial de 98,5 a 120 m.
  • As esculturas das fachadas são sugeridas por formas. As figuras não têm rosto, inclusive aquela à qual Subirachs deu o rosto de Gaudí.
  • O museu, o corredor e a cripta são organizados para caminhar, sem medidas levantadas.
  • A luz colorida projeta cada janela no piso; a luz que cairia nas paredes e colunas é omitida.
  • A maquete suspensa do museu é uma rede pequena com o mesmo princípio da de Gaudí, não uma cópia de seus fios.

Como se mover

Arraste para olhar; ande com WASD ou as setas, segure Shift para acelerar ou clique no piso para ir até lá. No celular, o polegar esquerdo move e o direito olha. "Vista de cima" leva você a 60 m sobre a cidade. Os botões de nível levam ao piso, às tribunas do coro, ao museu e à cripta, e às pontes a 85 m; escadas e um ponto de elevador dentro da igreja fazem o mesmo. O mapa no canto mostra sua posição; clique para saltar a outro lugar.

Desafios, achados e fichas

Há 13 desafios, da altura da torre mais alta ao quadrado mágico, respondidos na maquete ou em um laboratório. Há 22 achados ocultos, das duas tartarugas à estrela de Maria, que abrem uma ficha quando vistos de perto, e dez fichas de ideias revistas que abrem ao chegar ao lugar ou ano que as demonstra. O guia lista 130 elementos com busca e filtros, e cada ficha liga às suas fontes. Estrelas e achados ficam guardados no navegador.

Perguntas

Por que a Sagrada Família demora tanto?

Ela é financiada por doações e ingressos, foi projetada para várias gerações de construtores e é muito grande e complexa. A obra parou ou desacelerou na Guerra Civil e nos anos seguintes, e novamente em 2020, na pandemia. Gaudí sabia que não a veria pronta.

A Sagrada Família está pronta?

Não. As seis torres centrais foram o marco de 2026, e o exterior da torre de Jesus Cristo foi concluído em 20 de fevereiro de 2026. As obras interiores continuam em 2027 e 2028. A Glória, com mais quatro campanários, não tem data de conclusão.

Qual é a altura da Sagrada Família?

Seu ponto mais alto, o topo da cruz da torre de Jesus Cristo, fica a 172,5 m. É a igreja mais alta do mundo. A torre de Maria tem 138 m e as quatro dos evangelistas, 135 m.

Ela é mais alta que a igreja de Ulm?

Sim, desde 30 de outubro de 2025, quando o braço inferior da cruz levou a torre a 162,91 m. A torre de Ulm tem 161,53 m.

Quantas torres ela terá?

Dezoito: doze campanários para os apóstolos, quatro torres para os evangelistas, uma para Maria e uma para Jesus. Em 2026 havia 14; faltam as quatro da Glória.

Gaudí deixou plantas completas?

Não. Ele mudou o projeto até morrer, e a maioria das plantas, fotografias e modelos da oficina foi queimada ou destruída em 1936. A obra continuou com o que foi salvo, com plantas e fotografias publicadas e com modelos de gesso remontados.

Gaudí a projetou com uma maquete de correntes suspensas?

Não diretamente. Sua famosa maquete suspensa era para a igreja de Colònia Güell. Ideias testadas ali passaram à Sagrada Família, resolvida depois com geometria e estática gráfica. A maquete do museu é uma reprodução de 1983.

Por que as colunas se ramificam?

Para que o peso das abóbadas desça diretamente pelos galhos e pelas colunas até o solo, sem arcobotantes externos, e as paredes possam receber janelas. Gaudí também queria que o interior parecesse uma floresta.

Por que as colunas têm cores diferentes?

A pedra acompanha a carga. O pórfiro vermelho sustenta mais, no cruzeiro, seguido por basalto preto, granito cinza e, nas naves laterais, arenito. Cada tipo também tem um número de pontas e uma altura diferentes.

Por que a luz é azul de um lado e laranja do outro?

As janelas da Natividade, voltada para o sol da manhã, têm cores frias. As da Paixão, voltada para o sol da tarde, são vermelhas e laranjas. Joan Vila-Grau as fez seguindo as orientações de Gaudí.

Quem fez os vitrais?

Joan Vila-Grau, desde 1999 por mais de vinte anos, com vidro chumbado.

É uma catedral?

Não, é uma basílica. O papa Bento XVI (Bento 16.º) a consagrou em 7 de novembro de 2010 e a nomeou basílica menor. A catedral de Barcelona é outra igreja.

Onde Gaudí está enterrado?

Na cripta da Sagrada Família, na capela de Nossa Senhora do Carmo.

A Sagrada Família tinha licença de obras?

Pediu uma em 1885, mas a prefeitura de Barcelona só concedeu licença regularizada em 2019, 137 anos após a primeira pedra.

O que é o quadrado mágico da Paixão?

Uma grade de quatro por quatro números de Subirachs, adaptada de Melencolia I de Dürer, em que cada linha, coluna e diagonal soma 33.

Que partes são Patrimônio Mundial?

A fachada da Natividade e a cripta, construídas sob Gaudí, integram as Obras de Antoni Gaudí, inscritas pela UNESCO em 1984 e ampliadas em 2005.

Termos

  • Basílica: título dado pelo papa a uma igreja importante. A Sagrada Família é uma basílica menor.
  • Templo expiatório: igreja construída com doações para expiar pecados.
  • Cripta: igreja ou capela sob a igreja principal.
  • Abside: extremidade da igreja que contém o altar.
  • Nave: corpo longitudinal da igreja; a Sagrada Família tem cinco.
  • Transepto: braço que cruza a nave.
  • Cruzeiro: encontro da nave com o transepto.
  • Nártex: pórtico diante da porta de uma igreja.
  • Módulo: comprimento do qual as medidas principais são múltiplas; aqui, 7,5 m.
  • Catenária: curva de uma corrente suspensa; virada, um arco que suporta seu peso por compressão.
  • Forma funicular: forma de um fio sob cargas dadas.
  • Linha de empuxo: percurso das forças em um arco.
  • Hiperboloide: superfície curva feita de retas, com uma cintura.
  • Paraboloide hiperbólico: superfície em sela feita de retas.
  • Helicoide: superfície torcida de uma escada em espiral.
  • Conoide: superfície de retas entre uma borda reta e outra curva.
  • Coluna de dupla torção: coluna cuja seção é uma estrela girada nos dois sentidos, arredondando ao subir.
  • Trencadís: mosaico de fragmentos de cerâmica ou vidro.
  • Abat-sons: lajes inclinadas de um campanário que espalham o som e barram a chuva.
  • Abóbada catalã: abóbada fina de tijolos planos dispostos em camadas.
  • Pedra protendida: painéis de pedra mantidos unidos por aço.

Fontes

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