FIG. 77Como funciona
Batidas do coração: modelo interativo passo a passo
Seu coração ejeta cerca de 70 mL de sangue a cada batimento e, no ritmo de repouso, faz isso cerca de 108.000 vezes por dia.
Este dispositivo não consegue mostrar o modelo 3D. Abaixo, você pode ler as etapas do guia em texto.
1 / 8 Uma bomba do tamanho de um punhoO coração de um adulto mede cerca de 12 cm de comprimento e pesa de 250 a 350 g. Aqui ele bate 75 vezes por minuto, e a cada batimento as câmaras encolhem ao se esvaziar e incham ao se encher de novo.
Arraste para girar. Use a rolagem ou o gesto de pinça para ampliar.
Ponha dois dedos no pulso
Pressione de leve a parte de dentro do pulso, abaixo do polegar, e você vai sentir um pequeno empurrão mais ou menos uma vez por segundo. Cada empurrão é uma onda de pressão vinda de uma contração do coração, que acabou de lançar cerca de 70 mL de sangue nas artérias. No ritmo de repouso de 75 batimentos por minuto, isso acontece cerca de 108.000 vezes por dia, e nunca para por mais que uma fração de segundo.
Esta exposição desmonta o coração na mesma ordem em que o batimento acontece. Primeiro, o encanamento: quatro câmaras, quatro valvas e os grandes vasos que as ligam. Depois, o sinal elétrico que dispara cada batimento e o traçado do ECG que o registra. Por fim, a conta que transforma batimentos em litros por minuto.
Esta exposição explica como funciona, em geral, um coração saudável. Ela não é orientação médica. Se algo no seu coração ou no seu pulso preocupa você, converse com um médico.
Duas bombas que dividem um batimento
O coração de um adulto mede cerca de 12 cm de comprimento, 8 cm de largura e 6 cm de espessura, mais ou menos o tamanho de um punho. Pesa cerca de 250 a 300 g nas mulheres e 300 a 350 g nos homens. Fica entre os pulmões, atrás do esterno, com a base larga em cima e o ápice pontudo inclinado para a esquerda.
Por dentro, uma parede de músculo o divide em uma metade direita e uma metade esquerda, e cada metade é uma bomba de dois estágios. A câmara de cima, o átrio, é uma sala de recepção de paredes finas. A de baixo, o ventrículo, faz o bombeamento de verdade.
O lado direito cuida do sangue que já deu a volta pelo corpo e entregou boa parte do seu oxigênio. Ele chega ao átrio direito pelas duas veias cavas: a superior, vinda da cabeça e dos braços, e a inferior, vinda de tudo o que está abaixo. Depois o ventrículo direito o empurra pelo tronco pulmonar até os pulmões. O trajeto é curto e os pulmões são delicados, então basta pouca pressão.
O lado esquerdo recebe o sangue que volta dos pulmões, agora com oxigênio novo. Quatro veias pulmonares o entregam ao átrio esquerdo, e o ventrículo esquerdo o manda pela aorta para o corpo todo. Fazer o sangue passar por todos os órgãos exige muito mais pressão, e é por isso que a parede do ventrículo esquerdo é bem mais grossa que a do direito. Ligue Cortar ao meio e compare: o anel grosso de músculo em volta da cavidade vermelha, à direita da tela, é a parede do ventrículo esquerdo.
Os dois lados batem no mesmo instante e movem o mesmo volume a cada vez. Se o ventrículo direito mandasse só um pouco mais por batimento que o esquerdo, o sangue iria se acumulando aos poucos nos pulmões.
Por que o modelo usa azul e vermelho
Os livros pintam o lado direito de azul e o esquerdo de vermelho, e o modelo faz o mesmo, mas o sangue nunca é azul. A hemoglobina com carga completa de oxigênio é vermelho-viva. Quando libera parte desse oxigênio nos tecidos, fica de um vermelho mais escuro. As veias podem parecer azuladas através da pele, mas o sangue dentro delas é vermelho-escuro.
Então, no modelo, azul quer dizer "pobre em oxigênio" e vermelho quer dizer "rico em oxigênio". Os nomes dos vasos seguem a direção, não a cor. Artérias levam o sangue para longe do coração e veias o trazem de volta. Por isso as artérias pulmonares aparecem em azul, já que depois do nascimento são as únicas artérias que levam sangue pobre em oxigênio, e as veias pulmonares aparecem em vermelho.
Quatro valvas que só abrem para um lado
Uma bomba sem valvas só faria o sangue ir e voltar. O coração tem quatro, e cada uma só se abre no sentido do fluxo.
Entre cada átrio e seu ventrículo há uma valva atrioventricular: a tricúspide, à direita, com três cúspides, e a mitral, à esquerda, com duas. As cúspides são presas por cordões finos, as cordas tendíneas, a pequenos músculos papilares na parede do ventrículo. Quando o ventrículo se contrai, o sangue tenta voltar para o átrio e fecha as cúspides de golpe. As cordas seguram as bordas para que as cúspides não virem do avesso, um pouco como as cordas que esticam uma barraca. Na vista em corte, a câmera lenta deixa você ver as cúspides descerem para dentro do ventrículo enquanto ele se enche e subirem de repente quando ele começa a se contrair.
Em cada saída há uma valva semilunar: a pulmonar, no início do tronco pulmonar, e a aórtica, no início da aorta. Cada uma tem três válvulas em forma de taça. Enquanto o ventrículo empurra, elas ficam encostadas na parede. Quando o empurrão termina e o sangue começa a voltar, ele as enche como bolsos e elas se encontram no meio.
O fechamento das valvas é o que se ouve no estetoscópio. A primeira bulha cardíaca, S1 ou "tum", é o fechamento da tricúspide e da mitral quando os ventrículos começam a se contrair. A segunda, S2 ou "tá", é o fechamento da pulmonar e da aórtica quando os ventrículos relaxam. Ligue Sons das valvas e o modelo toca uma batida suave em cada momento. É um som sintetizado, sincronizado com o modelo, e não uma gravação.
Logo depois de S1 há um intervalo curto em que todas as valvas estão fechadas. Os ventrículos já estão se contraindo, mas a pressão dentro deles ainda não passou a das artérias, então nada se move. O mesmo acontece ao contrário logo depois de S2, enquanto os ventrículos relaxam. Esses dois momentos, chamados contração isovolumétrica e relaxamento isovolumétrico, aparecem com o nome no painel.
Onde começa cada batimento
O músculo cardíaco não espera um nervo mandar que ele se contraia. Uma pequena área de células especializadas na parede do átrio direito, perto de onde entra a veia cava superior, deixa entrar carga positiva devagar até chegar a um limiar e disparar. Essa área é o nó sinoatrial, ou nó sinusal, e se ficasse por conta própria dispararia cerca de 100 vezes por minuto. Os nervos que vêm do cérebro funcionam sobretudo como freio, e por isso um coração em repouso bate mais devagar que isso.
Outras partes do sistema de condução também podem impor um ritmo, mas cada uma é mais lenta que a anterior. Sem o nó sinoatrial, o nó AV manteria o coração a 40 a 60 batimentos por minuto. O feixe de His chegaria a 30 a 40, e as fibras de Purkinje só a 15 a 20. A célula mais rápida dita o ritmo, e num coração saudável ela é a do nó sinoatrial.
Ligue Sinal elétrico e Câmera lenta para acompanhar. Um impulso sai do nó sinoatrial e se espalha pelos dois átrios, que brilham em amarelo conforme cada parte é ativada. O sinal chega ao nó AV cerca de 50 ms depois de começar. Uma faixa separada, o feixe de Bachmann, o leva direto ao átrio esquerdo. Os átrios começam a se contrair cerca de 25 ms depois que o sinal começa a se espalhar, e a contração deles dura cerca de 100 ms.
Por que o sinal espera no nó AV
Entre os átrios e os ventrículos existe um anel de tecido conjuntivo resistente que não conduz eletricidade. A única passagem é o nó atrioventricular, ou nó AV, na parte de baixo do átrio direito. Suas células são pequenas e passam o sinal devagar, então ele leva cerca de 100 ms para atravessar. No modelo você vê o nó AV piscar enquanto segura o sinal.
Esse atraso é importante. Ele dá tempo para os átrios terminarem de empurrar sua última parte de sangue para os ventrículos antes que estes comecem a se contrair. Em repouso, 70 a 80 por cento do ventrículo se enche sozinho enquanto as valvas AV estão abertas. A contração atrial, às vezes chamada de "chute atrial", completa os 20 a 30 por cento restantes.
Depois da pausa, o sinal anda rápido. Ele desce pelo feixe de His até a parede entre os ventrículos, se divide em um ramo esquerdo e um direito e chega ao ápice em cerca de 25 ms. A partir do ápice, as fibras de Purkinje o levam para cima pela face interna das paredes dos ventrículos, e cerca de 75 ms depois todo o músculo ventricular já foi ativado. Como o sinal começa no ápice, a contração também começa ali e avança para as valvas lá em cima, um pouco como apertar um tubo de pasta de dente pela ponta fechada.
Lendo o ECG junto com o modelo
O eletrocardiograma registra as minúsculas voltagens que essa onda de atividade elétrica produz na pele. O traçado no painel é desenhado com o mesmo tempo do modelo, então cada onda corresponde a algo que você vê no coração.
- A pequena onda P é a ativação dos átrios.
- O trecho plano depois dela é a pausa no nó AV. O tempo do início da P ao início do QRS, o intervalo PR, normalmente é de 120 a 200 ms. No modelo ele é de 175 ms a 75 batimentos por minuto.
- O alto e estreito complexo QRS é a ativação dos ventrículos. Normalmente dura menos de 120 ms, em geral de 60 a 100. Os átrios se recuperam nesse tempo, e o sinal deles fica escondido sob o QRS.
- A arredondada onda T é a recuperação dos ventrículos, prontos para o próximo batimento.
As marcas S1 e S2 abaixo do traçado mostram as bulhas. S1 vem logo depois do pico R, quando os ventrículos começam a se contrair. S2 vem quando a onda T some. Experimente a Câmera lenta com o Sinal elétrico ligado e observe ao mesmo tempo o brilho amarelo, o traçado e as valvas.
O tempo do início do QRS ao fim da T, o intervalo QT, fica mais curto quando o coração acelera. A 75 batimentos por minuto, o QT do modelo é de 362 ms, dentro da faixa habitual de menos de 400 a 440 ms.
Calculando o débito cardíaco
O débito cardíaco é o volume que cada ventrículo bombeia em um minuto:
débito cardíaco = frequência cardíaca × volume sistólico
O volume sistólico é o que um ventrículo ejeta em um único batimento, a diferença entre o quanto ele está cheio no fim do enchimento (volume diastólico final) e o que sobra no fim da contração (volume sistólico final). No modelo, o ventrículo guarda 55 mL depois de cada batimento, então, com um volume sistólico de 70 mL, ele contém 125 mL quando cheio.
Em repouso: 75 batimentos × 70 mL = 5.250 mL, ou 5,25 L por minuto. A faixa normal em repouso vai de cerca de 4 a 8 L por minuto. A fração ejetada a cada batimento, 70 de 125 mL, é de 56 por cento, dentro da faixa habitual de 55 a 70 por cento. Ao longo de um dia, 5,25 L por minuto somam cerca de 7.560 L de cada ventrículo.
Em exercício intenso, a frequência de um adulto jovem e saudável pode chegar a cerca de 150, e o volume sistólico pode subir para cerca de 130 mL, porque cada contração fica mais forte. Leve os dois controles deslizantes ao máximo e o painel mostra 150 × 130 mL = 19,5 L por minuto.
Acelerar só ajuda até certo ponto. O modelo encurta cada parte do batimento quando a frequência sobe, mas não por igual. Indo de 75 para 150 batimentos por minuto, a sístole ventricular encolhe de 270 para 191 ms, enquanto o tempo de S2 até a próxima contração cai de 530 para 209 ms. A fase de relaxamento é a que mais perde, e é justamente o tempo que os ventrículos têm para se encher. Por isso, em corações reais, o volume sistólico começa a cair em frequências altas. O débito cardíaco sobe até cerca de 120 batimentos por minuto, fica mais ou menos estável entre 120 e 160 e cai acima disso.
Os números dos livros podem parecer diferentes dos do modelo à primeira vista. A OpenStax divide um batimento de 0,8 s em cerca de 100 ms de sístole atrial, 270 ms de sístole ventricular e 430 ms de diástole ventricular. Os 530 ms de relaxamento do modelo incluem os 100 ms de contração atrial, que acontece enquanto os ventrículos ainda estão relaxados.
Vinte situações para testar
A barra na parte de baixo do modelo tem vinte situações. Cada uma define a frequência cardíaca, o volume sistólico e o lugar onde o batimento começa, e a linha abaixo da barra diz de onde vêm os números. Elas formam três grupos.
O primeiro grupo fica dentro das faixas normais em repouso e mostra como os dois fatores se compensam. Um coração que bate 60 vezes por minuto com 67 mL por batimento fornece cerca de 4,0 L por minuto, o limite inferior da faixa normal em repouso. Um que bate 100 vezes com 80 mL por batimento chega a 8,0 L, o limite superior. Os mesmos 5 L, mais ou menos, podem vir de um coração lento com volume grande ou de um coração rápido com volume pequeno.
O segundo grupo vem dos nomes que os médicos dão às frequências em repouso. Acima de 100 batimentos por minuto em repouso é taquicardia, e abaixo de 60 é bradicardia. A maioria das pessoas ainda não tem sintomas acima de cerca de 50, e alguns atletas de resistência treinados ficam em repouso com 30 a 40. A OpenStax cita 28 por minuto para o ciclista Miguel Indurain. Essas fontes dão só a frequência, então o modelo mantém o volume sistólico em 70 mL, marcado com um asterisco abaixo. O coração de um atleta treinado pode ser bem maior que a média, então, no caso dele, o débito real não é tão baixo quanto o modelo mostra.
O terceiro grupo desliga a parte de cima do sistema de condução, um degrau de cada vez. Com o nó sinoatrial bloqueado, o nó AV assume a 40 a 60 batimentos por minuto. Ligue Sinal elétrico e você vai ver o nó sinoatrial ficar apagado e a onda P sumir do ECG, porque os átrios deixam de ser ativados primeiro a partir de cima. Abaixo do nó AV, as frequências caem para 30 a 40 no feixe de His, 20 a 30 nos ramos do feixe e 15 a 20 nas fibras de Purkinje. Nessas frequências o débito fica abaixo de 2 L por minuto, e um coração tão lento não consegue abastecer o corpo por muito tempo.
| Situação | Batimentos por minuto | Volume sistólico, mL | Débito, L/min |
|---|---|---|---|
| Adulto em repouso (média) | 75 | 70 | 5,25 |
| Repouso, limite inferior do normal | 60 | 70 | 4,20 |
| Repouso, limite superior do normal | 100 | 70 | 7,00 |
| Volume sistólico, limite inferior do normal | 75 | 55 | 4,12 |
| Volume sistólico, limite superior do normal | 75 | 100 | 7,50 |
| Débito em repouso, limite inferior | 60 | 67 | 4,02 |
| Débito em repouso, limite superior | 100 | 80 | 8,00 |
| Exercício intenso, adulto jovem e saudável | 150 | 130 | 19,50 |
| Início da zona-alvo de exercício | 120 | 70* | 8,40 |
| Nó sinoatrial sem sinais nervosos | 100 | 70* | 7,00 |
| Nó sinoatrial, limite inferior da faixa própria | 80 | 70* | 5,60 |
| Taquicardia (acima de 100 em repouso) | 110 | 70* | 7,70 |
| Bradicardia (abaixo de 60 em repouso) | 55 | 70* | 3,85 |
| A maioria ainda sem sintomas | 50 | 70* | 3,50 |
| Atleta de resistência treinado em repouso | 40 | 70* | 2,80 |
| Menor frequência citada (Miguel Indurain) | 28 | 70* | 1,96 |
| O nó AV dita o ritmo | 50 | 70* | 3,50 |
| O feixe de His dita o ritmo | 35 | 70* | 2,45 |
| Os ramos do feixe ditam o ritmo | 25 | 70* | 1,75 |
| As fibras de Purkinje ditam o ritmo | 18 | 70* | 1,26 |
* A fonte dá apenas a frequência cardíaca; o volume sistólico fica em 70 mL.
Um cálculo com números redondos
O modelo parte de 75 batimentos por minuto e 70 mL por batimento. Números redondos são mais fáceis de acompanhar, então coloque Frequência cardíaca em 70 e Volume sistólico também em 70 e confira a conta com a leitura do painel.
- Por minuto: 70 batimentos × 70 mL = 4.900 mL, ou seja, 4,9 L. É o débito cardíaco que o painel mostra.
- Por hora: 4,9 L × 60 = 294 L.
- Por dia: 4,9 L × 1.440 minutos = 7.056 L de cada ventrículo, em 70 × 1.440 = 100.800 batimentos.
- Por ano: 100.800 × 365 dá cerca de 36,8 milhões de batimentos.
- Em 80 anos: cerca de 2,9 bilhões de batimentos e cerca de 206 milhões de L (7.056 × 365 × 80 = 206.035.200), sem contar os anos bissextos.
São médias que partem de uma única suposição: 70 batimentos por minuto, sempre. O sono, o esforço e o humor mudam a frequência real, de modo que os números mostram a ordem de grandeza e não o que o seu próprio coração fez.
Um produto não diz como se chegou a ele. 98 batimentos × 50 mL e 49 batimentos × 100 mL também dão 4,9 L por minuto. Experimente os dois: o débito não muda, mas o primeiro coração bate com pulsos pequenos e rápidos, e o segundo com pulsos grandes e lentos.
No esforço intenso, a mesma conta dá 150 batimentos × 130 mL = 19.500 mL, ou 19,5 L por minuto, cerca de quatro vezes os 4,9 L do repouso. Nenhum dos dois fatores precisa dobrar. A frequência sobe um pouco mais que o dobro e o volume sistólico quase o dobro, e os dois aumentos se multiplicam.
O que significam os números da pressão arterial
O modelo desenha o fluxo, não a pressão, mas a pressão é o que cada batimento produz, e os dois números do manguito saem direto do ciclo que você pode ver. Uma leitura como 120/80 se diz «120 por 80». O primeiro número, a pressão sistólica, é a pressão mais alta nas grandes artérias, atingida enquanto os ventrículos empurram o sangue para fora. O segundo, a pressão diastólica, é a mais baixa, pouco antes do batimento seguinte, quando os ventrículos relaxam e a valva aórtica está fechada.
A unidade, mm Hg, é milímetro de mercúrio: a pressão que sustenta uma coluna de mercúrio com essa altura em milímetros. Um mm Hg equivale a cerca de 133 pascals, então 120 mm Hg são cerca de 16 kPa. A diferença entre os dois números é a pressão de pulso, aqui 120 − 80 = 40 mm Hg. A pressão média de todo o batimento, a pressão arterial média, pode ser aproximada pela pressão diastólica mais um terço da pressão de pulso: 80 + 40 ÷ 3, cerca de 93 mm Hg.
A pressão depende de duas coisas ao mesmo tempo: quanto sangue o coração envia a cada minuto e quanto os vasos resistem a ele. Por isso o ventrículo esquerdo, que enfrenta a resistência do corpo inteiro, tem a parede grossa.
| Categoria (NHLBI, Estados Unidos) | Sistólica, mm Hg | Diastólica, mm Hg | |
|---|---|---|---|
| Normal | menos de 120 | e | menos de 80 |
| Elevada | 120 a 129 | e | menos de 80 |
| Hipertensão, estágio 1 | 130 a 139 | ou | 80 a 89 |
| Hipertensão, estágio 2 | 140 ou mais | ou | 90 ou mais |
| Crise hipertensiva | mais de 180 | ou | mais de 120 |
As diretrizes não traçam os limites no mesmo lugar. A Sociedade Coreana de Hipertensão, em sua diretriz de 2022, define a hipertensão como 140/90 mm Hg ou mais medidos no consultório e chama de pré-hipertensão a faixa de 130 a 139 por 80 a 89. Uma mesma leitura pode, portanto, ter dois nomes em dois países. O diagnóstico se baseia em medições repetidas, não em um único número, e decidir o que um número significa para uma pessoa em particular cabe a um médico.
Dos quadradinhos do papel de ECG aos batimentos por minuto
O ECG costuma ser impresso em papel quadriculado e corre a 25 mm por segundo. Um quadradinho pequeno, de 1 mm de largura, representa então 0,04 s (40 ms), e um quadrado grande, de 5 mm ou cinco pequenos, representa 0,2 s (200 ms). Cinco quadrados grandes formam um segundo.
Com essa grade, o traçado do modelo fica fácil de medir. A 75 batimentos por minuto, o tempo entre um pico R e o seguinte é 60 ÷ 75 = 0,8 s, ou seja, 800 ms, 20 quadradinhos pequenos ou 4 grandes. Para um ritmo regular, a frequência é 300 dividido pelo número de quadrados grandes entre dois picos R: 300 ÷ 4 = 75. A 100 batimentos por minuto são 3 quadrados grandes, e a 60 são 5.
Os intervalos cabem na mesma grade. O intervalo PR de 175 ms do modelo equivale a cerca de 4,4 quadradinhos pequenos, dentro da faixa usual de 120 a 200 ms, isto é, de 3 a 5 quadradinhos pequenos. Um QRS normal dura menos de 120 ms, menos de 3 quadradinhos pequenos. O QT do modelo, 362 ms a 75 batimentos por minuto, equivale a cerca de 9 quadradinhos pequenos. Essas conversões valem para o papel de verdade. O modelo desenha o traçado em escala própria, então leia os milissegundos do painel em vez de encostar uma régua na tela.
A ordem em que a onda viaja é a ordem em que o traçado é desenhado: nó sinoatrial, os dois átrios (onda P), nó atrioventricular (o trecho plano do PR), feixe de His e seus ramos, o ápice e, por fim, as fibras de Purkinje subindo pelas paredes dos ventrículos (o QRS). Ative Sinal elétrico e Câmera lenta e acompanhe-a do nó até o último pedaço de músculo que se ilumina.
Doenças do coração em números, e as compressões torácicas
A Organização Mundial da Saúde coloca as doenças cardiovasculares como a principal causa de morte no mundo. Estima 19,8 milhões de mortes por elas em 2022, cerca de 32 % de todas as mortes, e 85 % delas foram causadas por infarto e acidente vascular cerebral.
O Instituto de Estatística da Coreia registrou 352.511 mortes na Coreia em 2023. O câncer ficou em primeiro lugar, com 166,7 mortes por 100.000 pessoas, e a doença cardíaca em segundo, com 64,8, à frente da pneumonia, com 57,5. A doença cerebrovascular, que no ranking coreano é contada à parte e que a OMS inclui no total cardiovascular, somou mais 47,3. Quando duas fontes dão totais diferentes, convém verificar o que cada uma conta.
Dois termos costumam ser confundidos. No infarto do miocárdio, o fluxo de sangue para uma parte do músculo do coração é bloqueado, e essa parte fica sem oxigênio. Na parada cardíaca, o coração para de bombear de repente por uma falha elétrica, o que nesta exposição equivale a uma falha do sistema de condução. O Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos observa que um infarto pode levar a uma parada cardíaca, mas não são a mesma coisa.
Quando o coração parou, as compressões torácicas fazem de fora o trabalho da bomba até a ajuda de emergência chegar. O MedlinePlus e a Cruz Vermelha Americana dão para adultos o ritmo de 100 a 120 compressões por minuto, com profundidade de cerca de 2 polegadas (5 cm), deixando o peito subir por completo entre uma e outra. Ajuste Frequência cardíaca para 110 e ative Sons das valvas para ouvir esse andamento, um batimento a cada 0,55 s mais ou menos. Isto não é um curso de reanimação. O MedlinePlus diz com clareza que ler sobre RCP não é o mesmo que treinar na prática, e que um curso credenciado é o caminho para aprender. Numa emergência, ligue primeiro para o número de emergência local (119 na Coreia, 911 nos Estados Unidos).
Confusões comuns
- «O coração fica do lado esquerdo.» Ele fica no meio do peito, entre os pulmões. Só o ápice se inclina para a esquerda, e é ali que o batimento é mais fácil de sentir.
- «Um coração lento em repouso é um coração fraco.» O débito é frequência × volume sistólico. Um atleta treinado com 40 batimentos por minuto pode mover sangue suficiente se cada batimento passar de 70 mL, e por isso a situação do atleta no modelo leva um asterisco.
- «Pressão arterial e frequência cardíaca são a mesma coisa.» A frequência conta os batimentos por minuto. A pressão é a força do sangue sobre a parede da artéria. Um coração rápido pode ter pressão baixa e um lento, pressão alta.
- «O ECG mostra se o coração bombeia bem.» O traçado mostra quando o músculo é disparado. Não tem nenhum número para o volume sistólico, então sozinho não dá o débito cardíaco.
Experimente na tela
- Coloque Frequência cardíaca em 70 e Volume sistólico em 70. Compare o débito cardíaco do painel com os 4,9 L por minuto calculados acima.
- Experimente 98 batimentos com 50 mL e depois 49 batimentos com 100 mL. O débito continua em 4,9 L por minuto enquanto muda o aspecto do batimento.
- Coloque os dois controles no máximo, 150 e 130, e leia 19,5 L por minuto.
- Ative Sinal elétrico e Câmera lenta. Veja o nó atrioventricular segurar o sinal enquanto o ECG fica plano entre a onda P e o QRS.
- Escolha uma depois da outra as frequências de 50 e 100 batimentos e conte os quadrados grandes entre picos R: 6 e 3.
- Ajuste Frequência cardíaca para 110 com Sons das valvas ativado e bata o compasso com a mão. É o ritmo em que as compressões são ensinadas.
O que o modelo deixa de fora
- A disposição é achatada. No tórax de verdade, o ventrículo direito fica à frente do esquerdo, o átrio esquerdo fica atrás e o tronco pulmonar cruza à frente da aorta. O modelo aproxima as câmaras de um mesmo plano para que um só corte mostre as quatro câmaras, as valvas AV e a valva aórtica. A valva pulmonar continua à frente do corte; use Ver por dentro para encontrá-la.
- As cores são uma convenção. Azul e vermelho representam o sangue pobre e rico em oxigênio. O sangue de verdade é vermelho-escuro ou vermelho-vivo.
- As formas são lisas. Os ventrículos reais são forrados de saliências musculares, o direito envolve o esquerdo como uma meia-lua e as paredes engrossam ao se contrair. O modelo encolhe cada câmara por igual em volta do seu centro.
- O ECG é uma curva desenhada. Ele é feito de ondas suaves colocadas nos intervalos dos livros, como uma derivação mostraria. Não é um registro, e os traçados reais variam de pessoa para pessoa.
- O tempo é esticado por uma regra. O intervalo QT é ajustado à frequência pela fórmula de Fridericia, e as fases mecânicas por uma regra de raiz quadrada. As duas são aproximações.
- As vias de condução são simplificadas. As três vias internodais, o feixe de Bachmann e a rede de Purkinje são desenhados como poucas linhas. A rede de Purkinje real é uma malha densa sob o revestimento interno dos ventrículos.
- Os ritmos de escape mantêm um QRS normal. Quando uma parte mais baixa do sistema de condução dita o ritmo, os QRS reais podem ter outra forma e os átrios podem ser ativados de baixo para cima. O modelo só tira a onda P, acende o sistema daquele ponto para baixo e mantém o resto do batimento igual.
- Os sons são sintetizados. Eles marcam os momentos em que as valvas se fecham, mas não reproduzem o que um estetoscópio capta.
Um pouco de história
As partes do sistema de condução foram descobertas uma de cada vez. Em 1839, Jan Evangelista Purkinje descreveu uma rede de fibras gelatinosas sob o revestimento interno do coração, sem saber para que servia. Em 1893, Wilhelm His Filho encontrou um feixe de músculo que passava dos átrios para os ventrículos. Em 1906, Sunao Tawara, que trabalhava no laboratório de Ludwig Aschoff em Marburgo, descreveu o nó AV e mostrou que ele continua pelo feixe e seus ramos até as fibras de Purkinje.
Naquele verão, um estudante de medicina, Martin Flack, examinava cortes do coração de uma toupeira para Arthur Keith numa casa de campo alugada em Kent. Ele encontrou uma pequena estrutura onde a veia cava superior encontra o átrio direito. Keith e Flack a publicaram em 1907 como o lugar onde o ritmo do coração começa: o nó sinoatrial.
Em 1902, Willem Einthoven registrou a atividade elétrica do coração a partir da superfície do corpo com um instrumento criado por ele. Ele recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1924 pela descoberta do mecanismo do eletrocardiograma.
Perguntas
Por que a parede do ventrículo esquerdo é tão mais grossa que a do direito?
Os dois ventrículos bombeiam o mesmo volume, mas o esquerdo precisa fazê-lo passar por todas as artérias do corpo, que resistem ao fluxo muito mais que o curto circuito pelos pulmões. Mais pressão exige mais músculo.
Por que meu coração bate mais rápido quando faço exercício?
Os músculos em atividade precisam de mais oxigênio. Sinais do sistema nervoso e hormônios como a adrenalina aceleram o nó sinoatrial e deixam cada contração mais forte, então sobem tanto a frequência cardíaca quanto o volume sistólico. No modelo você vê o débito cardíaco subir ao mover os dois controles deslizantes.
O que faz o som tum-tá?
O fechamento das valvas. "Tum" é o fechamento da tricúspide e da mitral no início de cada contração, e "tá" é o da pulmonar e da aórtica no fim. O sangue que passa pelas valvas abertas é quase silencioso num coração saudável.
O sangue das minhas veias é azul?
Não. O sangue com pouco oxigênio é vermelho-escuro, e o sangue rico em oxigênio é vermelho-vivo. As veias podem parecer azuis através da pele, mas essa não é a cor do sangue. O azul do modelo, como na maioria dos esquemas, é só um código de cor.
O que acontece se o nó sinoatrial parar de funcionar?
A próxima parte do sistema de condução assume no seu próprio ritmo, mais lento. Só o nó AV mantém o coração batendo cerca de 40 a 60 vezes por minuto, o que em geral basta para a pessoa continuar consciente. Os médicos também podem implantar um marca-passo artificial.
O coração descansa alguma vez?
Cada batimento inclui o seu próprio descanso. A 75 batimentos por minuto, os ventrículos passam cerca de 270 ms se contraindo e os 530 ms restantes relaxados e se enchendo. O músculo também fica refratário por cerca de 250 ms depois de cada sinal, então não pode ser ativado de novo cedo demais.
Até que velocidade um coração pode bater?
As frequências máximas costumam ser de 200 a 220 batimentos por minuto e caem com a idade. Uma estimativa grosseira é 220 menos a sua idade. O próprio nó AV consegue passar sinais até cerca de 220 por minuto.
Qual é a frequência cardíaca normal em repouso?
Para um adulto, de 60 a 100 batimentos por minuto, com cerca de 75 como valor típico. Condicionamento físico, idade, temperatura e estresse mudam esse número. Recém-nascidos ficam em repouso com cerca de 120. Meça a frequência em repouso só depois de se recuperar de qualquer exercício.
O que significam os dois números da pressão arterial?
O primeiro, a sistólica, é a pressão mais alta nas artérias enquanto os ventrículos empurram o sangue para fora. O segundo, a diastólica, é a mais baixa, entre um batimento e outro. Ambas são medidas em mm Hg. O que uma leitura significa para você é pergunta para um médico, porque as diretrizes diferem e uma leitura isolada prova pouco.
Infarto é a mesma coisa que parada cardíaca?
Não. No infarto, o suprimento de sangue para uma parte do músculo do coração é bloqueado. Na parada cardíaca, uma falha elétrica faz o coração parar de bombear de repente. Um infarto pode levar a uma parada cardíaca, mas a maioria dos infartos não leva.
Em que ritmo se fazem as compressões torácicas?
Em adultos, o MedlinePlus e a Cruz Vermelha Americana indicam de 100 a 120 por minuto, com cerca de 2 polegadas (5 cm) de profundidade, deixando o peito subir por completo entre uma e outra. Ambos aconselham fazer um curso credenciado em vez de aprender por uma página.
Quantas vezes um coração bate ao longo da vida?
A 70 batimentos por minuto constantes, cerca de 100.800 por dia e 36,8 milhões por ano, ou seja, perto de 2,9 bilhões em 80 anos. Corações reais aceleram e desaceleram, então isso é só uma ordem de grandeza.
Termos
- Átrio: câmara superior que recebe o sangue das veias.
- Ventrículo: câmara inferior que bombeia o sangue para uma artéria.
- Valvas atrioventriculares (AV): a tricúspide e a mitral, entre cada átrio e seu ventrículo.
- Valvas semilunares: a pulmonar e a aórtica, nas saídas dos ventrículos.
- Cordas tendíneas: cordões que prendem as cúspides das valvas AV aos músculos papilares.
- Sístole e diástole: a fase de contração de uma câmara e sua fase de relaxamento e enchimento.
- Nó sinoatrial: o marca-passo do átrio direito que inicia cada batimento.
- Nó AV: a única ligação elétrica dos átrios com os ventrículos. Atrasa o sinal em cerca de 100 ms.
- Feixe de His e ramos do feixe: o caminho rápido que desce pela parede entre os ventrículos.
- Fibras de Purkinje: a rede rápida que espalha o sinal pelas paredes dos ventrículos.
- Volume sistólico: sangue ejetado por um ventrículo em um batimento.
- Débito cardíaco: sangue bombeado por um ventrículo por minuto, frequência cardíaca × volume sistólico.
- Fração de ejeção: volume sistólico dividido pelo volume no fim do enchimento.
- ECG: eletrocardiograma, registro da atividade elétrica do coração medida na pele.
Fontes
Todos os endereços foram verificados em 2026-10-17.
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- OpenStax, Anatomy and Physiology 2e, 19.2 Cardiac Muscle and Electrical Activity (conduction system and its timing, intrinsic rates, ECG waves, refractory period). https://openstax.org/books/anatomy-and-physiology-2e/pages/19-2-cardiac-muscle-and-electrical-activity
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